EUA acusam Irã de violar acordo nuclear

Os Estados Unidos apresentaram, na última sexta-feira (15), uma série de armas que, segundo o governo americano, foram fabricadas pelo Irã e recolhidas em campos de batalha do Iêmen

Por araguaianews em dezembro 17, 2017

Teerã negou fornecer armas para os rebeldes houthis no Iêmem

Embaixadora Nikky Haley apresenta armas que seriam do Irã
Embaixadora Nikky Haley apresenta armas que seriam do IrãReuters

Os Estados Unidos apresentaram, na última sexta-feira (15), uma série de armas que, segundo o governo americano, foram fabricadas pelo Irã e recolhidas em campos de batalha do Iêmen. Para a administração do presidente Donald Trump, esta é uma “prova concreta” da violação por parte do Irã das resoluções da ONU.

Teerã negou fornecer armas para os rebeldes houthis, contrários ao governo apoiado pelos sauditas, no Iêmen. A embaixadora dos EUA na ONU (Organização das Nações Unidas), Nikky Haley, ressaltou que, segundo as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, pelo acordo nuclear de 2015 com o Irã, o país está proibido de negociar armas sem autorização do órgão. As informações são do site Debka.

Tal iniciativa dos Estados Unidos, de denunciar o que o país considera uma violação do Irã, tem por objetivo evidenciar a estratégia da nação persa neste novo cenário do Oriente Médio.

Que, com a derrocada do Daesh (conhecido como Estado Islâmico), mudou muito e em poucos dias, segundo Ricardo Gennari, professor de Inteligência da Fipe (Fundação Estudos de Pesquisas Aplicadas), da Universidade de São Paulo. Isto porque o Irã, que inclusive lutou contra o grupo, buscava um domínio maior após os combates.

— Mesmo com o Daesh sendo sunita, a sua perda de territórios no Iraque e na Síria acabou prejudicando o Irã, que queria manter a influência e quem sabe o controle desses países. Mas as forças aliadas, comandadas pelos Estados Unidos é que ampliaram seu poder nessas regiões, aproximando-as inclusive da influência da Arábia Saudita, atual aliada dos Estados Unidos.

Gennari admite que pode estar havendo um processo de isolamento do Irã, justamente em um momento em que o país buscava aumentar suas alianças no Oriente Médio, compondo-se com desafetos sauditas, como o Catar.

— Em poucos dias, em função da derrota do Daesh e também da decisão do presidente Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, o cenário mudou no Oriente Médio. Havia uma divisão entre Irã, que apoia rebeldes no Iêmen, e Arábia Saudita. Mas, com esses fatos novos, o Irã está ficando sozinho, não diria isolado, diria que perdendo o controle e deverá rever sua estratégia.

Presidente do Irã declara fim de grupo extremista islâmico

Até mesmo foi cogitado, pelo jornal Le Monde, que a Arábia Saudita tivesse um acordo com os EUA para reconhecer Jerusalém como capital israelense, algo que o governo saudita nega. Se tal apoio for verdadeiro, seria praticamente uma manobra que daria muito mais status para a Arábia Saudita e seus aliados na região.

Mas se não for, o Irã continua com as mesmas dificuldades territoriais. Gennari levantou um ponto interessante, em relação ao reconhecimento de Jerusalém como capital israelense. Tal fato, por induzir os países islâmicos a se unirem contra a declaração, acaba dificultando a estratégia iraniana, baseada, de acordo com o especialista, na divisão dos países árabes.

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