ENTRETENIMENTO

‘O rock não é mais a música da juventude’, diz Leoni

Para comprovar tal argumento, eles gravaram A Fórmula do Amor II, uma continuação da emblemática música dos anos 1980

Por araguaianews em abril 16, 2018
Em 1985, ano de ebulição do rock nacional, os amigos Leo Jaime e Leoni, que ainda era baixista do Kid Abelha, buscavam incessantemente pela fórmula do amor. Entre um rabisco e outro, além dos inúmeros hits escritos pela dupla, surgiu aquele que seria um dos hinos da década de 1980A Fórmula do Amor é uma espécie de manual para os garotos e garotas da época: o que podia ou não ser dito ao pretendente? Qual roupa usar no primeiro encontro? Como impressionar a paquera? O amor, de fato, existia? Lançada em gravações diferentes e incluída em álbuns de Leo Jaime (Sessão da Tarde) e do Kid Abelha (Educação Sentimental), a música marcou a chamada geração de ouro do rock brasileiro.

Leoni e Leo Jaime: Laços. Músicos são parceiros de composição há mais de 30 anos© Wilton Junior/Estadão Laços. Músicos são parceiros de composição há mais de 30 anosTrinta e três anos depois, mais velhos e experientes em relação às coisas do coração, Leonardo (Leo Jaime) e Leoni são categóricos: “Perda de tempo”, diz Leoni. “O amor não tem fórmula. A idealização do amor é horrível porque você desperdiça o momento em prol de uma ideia que não existe. O amor não é perfeito. E a frustração que vem disso é muito grande. As pessoas precisam lidar com a realidade”, conclui ele.

Para comprovar tal argumento, eles gravaram A Fórmula do Amor II, uma continuação da emblemática música dos anos 1980. A canção foi lançada na semana passada em todas as plataformas digitais. Com uma roupagem mais moderna, a letra faz menção até mesmo ao Instagram, famosa rede social de fotos e vídeos. “Sou só mais um soldado derrotado nas batalhas do amor. A vida não é filme. As coisas são mais fáceis no Instagram e na televisão”, diz um dos trechos.

A recém-lançada AFórmula do Amor II abre as apresentações do novo projeto da dupla. Intitulado Leoni & Leonardo, o show que já passou pelo Rio de Janeiro e chega a São Paulo nesta sexta-feira, 13, no Teatro Bradesco, é um marco na carreira do duo.

Depois de 20 anos, eles voltam a dividir o palco em uma apresentação especial. A última vez que isso aconteceu foi em 1998, no show Fotografia. Leoni relembra os tempos de Kid Abelha, deixa a guitarra de lado e assume o baixo. “A gente voltou a ter aquela sensação de fazer parte de uma banda, aquela coisa de adolescente. É um sentimento de celebração”, afirma Leo. “Precisei me readaptar no baixo. Rolou um estranhamento muito grande com o instrumento. Meu baixo estava desregulado e com as cordas gastas. Precisei entender qual era minha função na banda de novo. A gente vem ensaiando toda tarde, há um mês, e o horário que sobra eu pego o baixo para estudar. Voltei a tocar as minhas músicas no baixo. Não lembrava mais. Quando você está no violão, você conduz a coisa. No baixo você faz parte da banda”, conclui Leoni.

Com 24 sucessos conhecidos do público, a escolha do repertório não foi tarefa fácil. No set, músicas como Garotos IIExageradoFórmula do Amor, Como Eu Quero, Só pro Meu Prazer, Pintura Íntima e A Vida Não Presta. “Foi difícil cortar. Tinha muita coisa. A gente acabou deixando de fora muitas músicas que tínhamos vontade de tocar”, ressalta Leoni. “Nós preparamos arranjos diferentes para algumas músicas, como A Vida Não Presta e Mensagem de Amor. São arranjos muito distantes dos originais. Eles ficaram mais adequados e atualizam as canções. As gravações originais tinham muitos saxofones. Era muito tecnopop”, complementa Leo.

REPERTÓRIO

Lágrimas e Chuva
Fixação
A Vida Não Presta
Uniformes
Gatinha Manhosa
Garotos II
As Sete Vampiras
Esse Outro Mundo
Exagerado
Pintura Íntima
Educação Sentimental
A Fórmula do Amor
Solange
Nada Mudou

O Rock morreu? Amigos desde a juventude, quando dividiram apartamento no Rio e começaram a se aventurar pelo rock nacional, Leo Jaime e Leoni já estiveram juntos por diversas vezes no palco. Desde o Kid Abelha, passando pelo grupo Heróis da Resistência e às respectivas carreiras solos, muitas foram as parcerias de Leoni e Leo Jaime. Para se ter ideia do entrosamento entre eles, um já chegou a substituir o outro. “Uma vez, a gente estava jogando bola com o Chico Buarque e o Leoni quebrou a perna. Havia três shows dos Heróis da Resistência naquela semana. Eu acabei substituindo o Leoni, tocando baixo e tudo. Ele também já me substituiu no palco quando fiquei internado”, conta Leo.

Antenados com nomes que estão em efervescência na cena atual (Leo e Leoni citam Johhny Hooker, Mahmundi, O Terno e o rapper Rincón Sapiência), a dupla tem propriedade para falar sobre música, especialmente sobre o rock. “Ficou velhinho, né? O rock é um senhor de idade. Ele, infelizmente, não é mais a música da juventude. Apesar de ter muita gente boa fazendo ainda. A música da juventude hoje é o rap. O rock não vai morrer, assim como o blues não morreu. É um estilo difícil porque muita coisa já foi feita. É raro ver algo novo. Para a galera nova, uma banda pode ser impressionante. Para mim, não. É uma questão de idade. Eu acho que hoje em dia não há fronteiras com o rock. Meu filho, que tem 18 anos e é músico, toca guitarra, ama Led Zeppelin, mas gosta de Novos Baianos e Lady Gaga”, diz Leoni. “O rock tem uma energia que poucos outros gêneros têm. Você é tomado por alguma coisa quando ouve I Saw Her Standing There, dos Beatles. Isso jamais vai morrer. Mas hoje, no Brasil, o rock é um segmento fora do mercado. Algo bem diferente dos anos 1980”, complementa Leo.

Consistência. Para Leo, inclusive, a música feita atualmente está menos politizada. “Na época em que a gente começou, fazíamos músicas com um discurso que tinha a ver com que estava acontecendo no País. Elas refletiam nosso tempo. Hoje em dia, eu sinto falta da realidade brasileira, que é muito rica e efervescente. As músicas simplesmente não retratam a nossa época. Eu sinto falta dessa crônica. A única exceção é o rap. A música precisa ser um retrato do que está acontecendo. E não é só sobre política, não, mas sobre várias outras coisas. Daqui a alguns anos, qual música nós vamos dizer que retrata o ano de 2018? Amei Te Ver (Tiago Iorc)? Trem-Bala (Ana Vilela)? Isso não vai identificar o nosso tempo. Não é uma crítica, são grandes sucessos, obviamente. No entanto, precisamos pensar e refletir sobre isso.”

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