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Contrabando milionário de cactos ameaça espécies raras do Atacama

Biólogo chileno alerta para a venda na internet de exemplares que demoram até séculos para se desenvolverem na natureza

Por araguaianews em junho 21, 2021

Biólogo chileno alerta para a venda na internet de exemplares que demoram até séculos para se desenvolverem na natureza

Cactos do deserto do Atacama estão ameaçados de extinção pelo tráfico internacional

Cactos do deserto do Atacama estão ameaçados de extinção pelo tráfico internacional

PIXABAY

Há pouco mais de um ano, em fevereiro de 2020, a polícia italiana invadiu a casa de Andrea Piombetti, em Senigalia, uma pequena cidade de 41 mil habitantes no litoral nordeste do país. No local, encontraram mais de mil exemplares de cactos em uma estufa improvisada, sendo que 955 deles eram de espécies raras vindas do Chile.

O próprio Piombetti, um colecionador e vendedor de plantas exóticas, já era conhecido dos policiais. Em 2013, uma carga de mais de 600 cactos chilenos endereçada a ele foi apreendida, mas a demora da Justiça italiana fez com que o caso prescrevesse antes que ele fosse formalmente processado.

O valor da carga apreendida no começo do ano passado surpreende. No mercado paralelo, as plantas podem ser vendidas por até 1,2 milhão de dólares (cerca de R$ 6 milhões). O impacto desse tipo de crime na biodiversidade mundial é inegável. Além de serem raras naturalmente por serem encontradas em um ambiente árido, essas espécies levam décadas e, em alguns casos, séculos, para se desenvolver.

Risco de extinção

Um artigo científico publicado na revista Nature calcula que das 1.500 espécies de cactos existentes em todo o planeta, quase 30% estão sob risco de extinção por causa, principalmente do tráfico e comércio ilegal de plantas. Algo que passa mais despercebido por não tratar de animais, que desperam naturalmente mais atenção.

Para o biólogo Pablo Guerrero, professor do curso de Biodiversidade da Universidade de Concepción e um dos principais especialistas em cactos do Chile, o problema é cada vez mais sério e pode levar à extinção de diversas espécies.

“Naturalmente, as cactáceas são muito suscetíveis ao dano que pode ser provocado pelo ser humano, têm distribuições muito limitadas na natureza ou são pouco abundantes. Além disso, as espécies mais ameaçadas são as mais apreciadas pelos colecionadores ilegais que procuram ter plantas mais exclusivas”, explica ele.

Fonte: www.r7.com

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