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Crise: Brasil perde água potável que abasteceria 63 milhões de pessoas

Números de 2019 mostram perdas de 40%. Redução do índice para 25% seria capaz de atender população de favelas por quase 3 anos   CIDADES | Joyce Ribeiro, do R7

Por araguaianews em junho 10, 2021
  • Diariamente é desperdiçado o volume equivalente a 7,5 mil piscinas olímpicas de água tratada
  • Redução das perdas para 25% permitiria economia da ordem de 2,2 bilhões de m³
  • Brasil teve mais perdas em 2019 (40%) do que países como África do Sul (34%) e Etiópia (29%)
  • Região norte do país é detentora dos piores índices de saneamento e de perdas de água

No Brasil, 60% da água desperdiçada se deve a vazamentos e problemas antigos em tubulações

No Brasil, 60% da água desperdiçada se deve a vazamentos e problemas antigos em tubulações

PIXABAY

Em meio à possibilidade de uma nova crise hídrica, poucas chuvas previstas e à pandemia do novo coronavírus, o Brasil tem perdas de água potável que dariam para abastecer 63 milhões de pessoas em um ano. De acordo com estudo recém-divulgado do Instituto Trata Brasil, em 2019, 39,2% da água captada não chegou às residências do país, o que representa um volume equivalente a 7,5 mil piscinas olímpicas de água tratada desperdiçada diariamente ou sete vezes o volume do sistema Cantareira, o maior reservatório de São Paulo.

Do total, 60% são perdas físicas, como vazamentos e problemas na rede de tubulação e ramais. Segundo o levantamento, o volume seria suficiente para levar água aos quase 35 milhões de brasileiros que até hoje não possuem acesso ao recurso ou abastecer mais de 13 milhões de moradores de favelas por quase três anos.

“As perdas são comuns no Brasil. Nos últimos 5 anos, a média foi de 36,7% e a expectativa era de redução paulatina do índice, mas, em 2019, chegou a 39,2%, o que indica uma tendência de aumento”, afirma Pedro Scazufca, pesquisador do estudo de perdas de água do Instituto Trata Brasil.

Em parceria com a Asfamas (Associação Brasileira dos Fabricantes de Materiais para Saneamento) e elaboração da consultoria GO Associados, o Trata Brasil divulgou o estudo “Perdas de Água Potável 2021: Desafios para a disponibilidade hídrica e ao avanço da eficiência do saneamento básico”. O levantamento usa dados públicos do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento) 2019 das 27 unidades da federação.

“A grande questão é a sustentabilidade. Água é um recurso finito e vai ter que se investir em redução de perdas porque, no futuro, não vai ter mais de onde tirar água. Órgãos licenciadores estão cada vez mais rígidos nas outorgas de captação. As mudanças climáticas estão exigindo isso e não tem mais como fugir”, assegura Luana Siewert Pretto, diretora de relações institucionais e governamentais da Asfamas. 

Estratégia contra perdas

As empresas investem cada dia mais na ampliação da captação de água, vão buscar o recurso natural em regiões distantes, com grandes obras de engenharia. Mas as concessionárias poderiam até reduzir a necessidade de captação se investissem mais dinheiro na redução de perdas.

Por causa das perdas, sejam físicas ou comerciais (os conhecidos gatos de energia), as concessionárias públicas e privadas precisam retirar mais água dos mananciais. Em tempos de escassez de chuvas e reservatórios secos, o problema se agrava, com forte impacto ambiental.

Fonte: www.r7.com

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