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sexta-feira - 19 julho - 2024
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Mato Grosso é o 3º estado brasileiro mais perigoso para mulheres

Dados foram compilados pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que apontam que a violência é ainda mais letal contra mulheres negras no estado.

Com o aumento, Mato Grosso foi a posição de terceiro estado brasileiro mais violento para mulheres, ficando atrás apenas de Roraima e Rondônia. O ranking dos dez estados com as maiores taxas é composto por Roraima (10,38), Rondônia (7,15), Mato Grosso (6,21), Ceará (5,73), Amazonas (5,62), Bahia (5,31), Acre (5,13), Mato Grosso do Sul (5,03), Espírito Santo (4,82) e Pará (4,62).

O estudo ressalta que os primeiros três estados estão localizados na área da Amazônia Legal, região que tem se destacado pelos elevados índices de homicídios nos últimos anos. De acordo com a 17ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, as taxas de Mortes Violentas Intencionais na Amazônia Legal foram 54% superiores à média nacional. “Os dados aqui apresentados apontam para a necessidade de se olhar mais especificamente para a violência contra as mulheres nessa região”, enfatiza a publicação.

Mulheres negras são as principais vítimas

Como consequência direta do racismo, as principais vítimas da violência que leva aos assassinatos, são negras. O Atlas de Violência aponta que em 17 estados as taxas de homicídio de mulheres negras superaram a taxa nacional em 2022. As três mais altas foram encontradas em Rondônia (7,5), Ceará (7,2) e em Mato Grosso (6,9), que, por sua vez, teve sua taxa maior do que a taxa nacional em todos os últimos 10 anos.

No cenário nacional, as taxas de homicídio de mulheres por raça/cor na última década (2012-2022) registraram queda. A redução foi de 25,0% para mulheres negras e 24,2% para mulheres não negras, conforme o levantamento. No entanto, Mato Grosso segue um caminho oposto, com a taxa aumentando 7,8% nos últimos dez anos. Outros sete estados também apresentaram aumentos: Ceará (100%), Piauí (48,4%), Roraima (31,8%), Rio Grande do Norte (16,3%), Maranhão (11,4%), Rondônia (10,3%) e Rio Grande do Sul (2,3%).

“O racismo estrutural e institucional, a interseccionalidade entre gênero e raça, bem como a insuficiência de políticas específicas de proteção a esse público, são chaves interpretativas que precisam ser consideradas para compreender esses altos índices, uma vez que mulheres negras são tradicionalmente mais expostas a fatores geradores de violência, em comparação com mulheres não negras”, destaca a publicação.

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